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Uma pequena história dos 25 anos de Aikido na UnB

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Mundo relativo das pessoas e da Arte Marcial – Notas de Nossos Mestres

 

Um estudioso do ser humano, Leonardo da Vinci, desenhou o que alguns interpretam como sendo o ser ideal, compreendendo harmonia entre as partes do corpo, colocando-o num círculo, onde a ponta das mãos e dos pés sempre tocam esse círculo.


Além do aspecto físico, cada momento das nossas vidas representa um estado de emoção, de pensamento, de convivência e de situações em que nos encontramos imersos, onde muitos comportamentos são aprendidos, pois olhamos pela lente da nossa cultura.


O que acontece quando nos encontramos no “tatame” tentando reproduzir um movimento feito pelo instrutor? O que se passa dentro da nossa mente e como nosso corpo executa o movimento?


Alguns se imaginam num campo de batalha e, como se fosse uma luta de vida ou morte, executam o movimento para aniquilar o inimigo. Outros estão pensando como serão julgados e, buscando a perfeição, executam o movimento de forma artificial, descolados do seu corpo, mente e espírito. Essa situação Shikanai Sensei chama de mundo relativo. Cada vez que executamos aparentemente o mesmo movimento, somos diferentes, assim como o nosso parceiro desse movimento. Estamos sempre em constante mutação. Então, como devemos proceder?

 

A palavra relativo tem como antônimo a palavra absoluto. Relativo é quando se refere a algo ou alguém, é quando ocorre ao acaso, mas que tem um vínculo, como dois tons musicais. Costuma-se dizer que todo conhecimento é relativo.

 

Talvez a primeira lição seja entender que estamos treinando num local especial. O “dojo” onde praticamos quer dizer nos ideogramas japoneses o “local do caminho” e em sânscrito significa o “local de iluminação”. O que estamos exercitando é a forma de uma Arte Marcial, é estudar como um movimento deve ser executado. Estamos aprendendo como lutar com nós mesmos e não a lutar.

 

Quando nos encontramos em plena luta, o que vale é a estratégia e a sensação do perigo, que nos leva a reagir de maneira adequada, se estivermos habilitados e preparados para ela.

 

Portanto, a dedicação, o comprometimento em aprender, o estudo dos movimentos durante as aulas, são o que permite desenvolver a intuição e a sensibilidade no conhecimento do que deve ser realizado a cada momento, levando em conta as características suas e as do parceiro, para que o resultado seja o mais agradável aos dois.

 

Reconhecer a relatividade das pessoas permite obter a mesma visão entre aquele que executa o ataque e perde, com aquele que executa a defesa e ganha. Ganhar e perder também é relativo. Trocando continuamente de lugar, ambos passam a executar o movimento com harmonia, sincronismo, eficiência e sem sofrimento.

 

A cada instante existe diferença de execução para um mesmo movimento. Para cada novo parceiro, observamos diferenças. Não só por ser mais leve ou mais alto. Também por possuir uma história de vida que molda o comportamento. Talvez seja isso que nos leva à compreensão da realidade de nossas vidas. Não é mesmo?

 

Nelson Takayanagi – Brasília, 09 de março de 2014 - AIZENKAI


 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Aizenkai.