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Uma pequena história dos 25 anos de Aikido na UnB

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Arte Marcial não é Academia – Notas de Nossos Mestres

 

Quando começamos a prática de uma Arte Marcial, nossos primeiros objetivos poderiam ser definidos de forma nebulosa, como o de obter um condicionamento físico, preparar-se para reagir a um imprevisto, conhecer alguma forma de lutar contra quaisquer oponentes e, enfim, fortalecer nossa competitividade e nosso ego.

 

Como estamos acostumados com nosso sistema educacional, passamos a frequentar as aulas geralmente de forma displicente, isto é, ir quando dá vontade, chegar a hora que quiser, entrar atrasado no “tatame”, como se isso fosse normal, achar que o professor tem a obrigação de nos ensinar pois estamos pagando, enfim, como se estivéssemos numa academia de ginástica ou numa escola qualquer.

 

Numa de suas últimas aulas para os praticantes mais avançados (faixas pretas ou “yudanshas”), Shikanai Sensei exclamou: Arte Marcial não é academia!

 

Especialmente quando falamos de Aikido ou de Jodo, de artes marciais contemporâneas ou tradicionais, alguns ensinamentos constituem a base e a identidade da formação do praticante.

 

O primeiro deles pode-se resumir como o ensinamento da etiqueta. Ela incorpora a limpeza, a estética do local do treinamento, a roupa de treinamento passada e sempre limpa, a forma de colocar e guardar os calçados e as armas, etc.

 

O segundo são os valores que são transmitidos, como o respeito aos mestres e aos companheiros da prática, a honestidade de propósitos, o empenho em aprender, a dedicação e o compromisso para consigo mesmo.

 

O terceiro diz respeito aos comportamentos, como a alegria em treinar, a amizade com os demais, o auxílio os outros, em qualquer atividade para manter a limpeza e a harmonia do ambiente, assim como o cumprimento dos horários, a continuidade e frequência aos treinamentos. Atitudes que demonstram humildade, desapego, e saber que não sabe, são fundamentais.

 

O que é básico na forma de se educar é entender que a sabedoria dos ensinamentos nos é passada por intermédio do instrutor, que mostra uma pequena parte de um movimento. Cabe ao praticante observar com cuidado, buscar repetir e refletir sobre o movimento, para entender suas razões e crescer no seu aprimoramento.

 

O que estamos fazendo é nos tornar mais humanos, preservar um bem da humanidade e nos desenvolver, na construção da nossa identidade, obtendo maior compreensão de nós mesmos e dos outros, para a prática do bem. Será que pensamos e agimos assim?

 

Nelson Takayanagi – Brasília, 08 de abril de 2014 – AIZENKAI


 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Aizenkai.