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Uma pequena história dos 25 anos de Aikido na UnB

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Formulação moral e do caráter na aprendizagem do Aikido - Notas de Nossos Mestres

 

 

No começo vinham "de curioso" ou com idéias preconcebidas do que seria uma Arte Marcial.

Iniciavam a prática de forma tímida ou agressiva e, aos poucos iam se moldando.

Faziam as avaliações e continuavam ou persistiam até serem aprovados pela banca ou abandonavam as aulas.

A evolução da humanidade produziu formas de transmitir e avaliar o conhecimento acumulado desde muito cedo.

Estamos vivendo talvez a fase final de um processo que consiste numa sala de aula ou um dojo, com o professor transmitindo aos alunos a carga de informação adquirida do passado.

O professor teria somente a tarefa ativa de transmitir e os alunos a tarefa passiva de absorver o que for possível para uso na sua vida futura.

A forma clássica de medir esse processo consiste em submeter os alunos à avaliação, como condição para continuar com o aprendizado ou entrar no mercado de trabalho.

Embora esse processo ocorra há alguns séculos, o psicólogo e filósofo Piaget constata que tanto o processo de aprendizagem como o de avaliação parecem estar merecendo um estudo mais aprofundado e sistemático.

Talvez novas formas de preparar uma pessoa para a vida, com escopo moral e caráter íntegro, seja como indivíduo, seja como integrante ativo da sociedade ou do grupo em que se insere, devam ser experimentadas.

Nas Artes Marciais, que buscam a integração corpo, mente e espírito, os valores a serem vivenciados e desenvolvidos constituem a base da formação.

De forma sintética esses valores são: comprometimento, dedicação, honestidade, limpeza, polidez, respeito com os colegas e professores e lealdade para com os superiores na preservação dos valores.

Como seria possível avaliar esses valores num "exame" de uns minutos e, ainda, por instrutores que pouco conhecem das realizações e vivência do praticante?

Dois pontos merecem reflexão. A situação de pressão suportada pelos praticantes para que as habilidades adquiridas sejam avaliadas por uma banca examinadora e a situação de avaliador com suas limitações numa decisão pessoal de aprovar ou não.

Contrapondo a condição especial de tensão a que é submetido o praticante, pode haver excesso de rigor, leniência ou insegurança do avaliador. O avaliador e avaliado ainda podem experienciar situação emotiva positiva ou negativa, em função da convivência entre eles.

O que está sendo colocado no momento é como um conhecimento, interno ao instrutor ou explicitado em livros e vídeos, pode ser avaliado. Como certificar que o conhecimento está sendo adequadamente absorvido pelo praticante? Como fazer com que o praticante participe ativamente do seu próprio desenvolvimento e também do seu grupo, auxiliando a todos?.

Indaga-se como pode ser avaliado se um determinado movimento ou um comportamento realizado pelo praticante representa os valores que a arte marcial busca transmitir.

Além da dedicação, do comprometimento, da evolução dos movimentos, como conseguir avaliar os valores que o praticante desenvolveu?

Além do sistema "convencional " de avaliação via apresentação do praticante, uma outra forma, também aplicável, seria uma aprovação pelo instrutor que acompanha na prática a evolução do praticante, desde que julgada adequada uma promoção.

O exercício tanto do avaliado como do avaliador para obter formas consistentes que comprovem a efetiva capacitação do praticante para que continue sua evolução é motivo da presente reflexão.

O continuo diálogo entre todos os envolvidos para que uma solução humana e justa seja atingida, que seja de reconhecimento e comprovação consensual, deve ser parte das nossas atividades.

Esperamos que isso nos leve à autorregulação ou à autoconservação das nossas estruturas, para o sucesso de todos.

 

Nelson Takayanagi – Brasília, 20 de fevereiro de 2015 – AIZENKAI

 

 


 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Aizenkai.