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Uma pequena história dos 25 anos de Aikido na UnB

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Solidariedade na Mente, no Coração e nas Ações

 

 

Parece que vem surgindo no mundo um novo tipo de solidariedade. Ela é supranacional, ela é uma espécie de solidariedade “orgânica”, como pode ser deduzido dos trabalhos de Piaget em suas pesquisas onde analisa as pessoas e a sociedade no processo de socialização.

Trata-se de uma solidariedade que se baseia na moral em ação. Fundamenta-se na justiça e na compreensão das coisas do espírito que se encontra dentro da cada um de nós.

Dos 100 anos da primeira guerra mundial, dos 70 anos da segunda guerra mundial, dos diversos conflitos regionais até os ataques a inocentes em qualquer parte do planeta, observa-se uma reação contra um radicalismo irracional e cruel.

O que se passa quando o mundo coloca a máscara “nós somos Charlie” ou os principais dignatários dos países se unem e fazem passeatas em nome da paz e contra a violência?

Talvez estejamos presenciando a construção de uma nova identidade mundial, que vai além dos países e se constrói com novos indivíduos e pensamentos.
Desde a constatação da “banalização do mal” por Hannah Arendt, na análise das causas das atrocidades cometidas durante a II Guerra Mundial (do livro Eichmann em Jerusalém), observa-se uma crescente cultura de violência, tanto nas áreas urbanas como no campo.

A trivialização da violência corresponde, para Arendt, ao vazio de pensamento, onde a banalidade do mal se instala.
Na construção de uma identidade que se contraponha a essa tendência, uma linha de pesquisa surge como a necessidade de acelerar o compartilhamento da educação científica com indivíduos que não são tradicionalmente considerados como parte da comunidade científica.

Como deveria ser realizada a aquisição e a construção do saber nos tempos atuais, onde a desigualdade entre as pessoas, mais do que as financeiras, se caracteriza pela capacidade na habilidade de se concentrar, de conseguir realizar raciocínios abstratos e de se relacionar?

Quando se estuda as crianças, desde seu nascimento, a característica marcante é o seu individualismo e uma espécie de egoísmo no seu comportamento, pois o mundo é só ele em si.

Esse individualismo infantil pode ser transposto também entre grupos, comunidades e mesmo entre países.

A saída do seu egocentrismo inconsciente começa a ocorrer na medida em que ele aprende a conhecer os outros.

Essa evolução ocorre no seio da família, na convivência social e na escola. A prática da cooperação é essencial para que o indivíduo passe a reconhecer no outro como aquele que também tem coração e mente. Ele percebe que não se enconta só no mundo.

Talvez a saída para combater o mal é construir a riqueza de pensamento em contraposição ao seu vazio e à submissão a uma burocratização irracional.

Com isso, ênfase deve ser dada nos quatro pilares do relatório sobre Educacão do Século XXI da UNESCO, publicado no livro “Educação: Um Tesouro a Descobrir”, na 7a. Ed. de 2012, que consiste em: “aprender a conhecer, aprender a fazer, aprender a viver juntos e aprender a ser “.

A educação pode levar a formas adequadas de desenvolver essas quatro vias do saber nas ações do cotidiano.

Neste novo mundo da economia informacional dissecado por Castells, sua característica marcante é o aumento da vulnerabilidade do homem, da familia, do emprego e dos paíse mais pobres.

Ele observa, entretanto, com a universalização das pessoas conectadas, que a utilização das tecnologias de informação e comunicação no cenário contemporâneo seria uma das formas de transmissão, em larga escala e com eficiência e eficácia, de aprender a conhecer, a fazer, a viver juntos e aprender a ser.

Refletir sobre essas questões, motivada por razões como a 2a.Edição da Publicação Solidária do Funiconcurso (www.estudarnafuniber.com) é uma forma de participar da necessidade de pensarmos a saída para questões pessoais, familiares, comunitários e, em escala global sobre a sustentabilidade e, entre outras coisas, sobre a paz.

Deve-se encontrar saídas em relação ao modelo de aprendizagem tradicional onde, durante muito tempo, a escola teve por única tarefa transmitir os conhecimentos adquiridos pelas gerações precedentes, cuja forma de ensino gera comportamentos de submissão que inibem pensamentos criativos e a busca de soluções.

Mas como conseguir desenvolver os pilares da nova educação?

Como pequeno catalisador, em muitas comunidades carentes começa a ser observada, entre as diversas atividades solidárias, por exemplo, o ensinamento de artes marciais.

A atuação de uma adequada arte marcial consegue retirar as crianças, adolescentes e adultos da posição de risco, afastando-os das drogas, dos furtos, das gangues, da violência gratuita.

Ela centra o esforço nos dois pilares mais frágeis da educação convencional que é o de aprender a viver juntos e aprender a ser. Ela é síntese de uma cultura, muitas vezes, um patrimônio da humanidade.

Trabalha a auto confiança, desenvolve a auto estima e, tanto as artes marciais tradicionais como as contemporâneas como o Aikido (que já atrai milhões de praticantes), onde a competição é proibida, enfatiza o respeito aos outros, pratica a justiça, a ética, o comportamento moral e a harmonia da paz entre as pesoas.

Esse complemento à educação tradicional talvez seja uma das chaves para que, quando adultos, essas crianças e jovens possam ser os construtores da paz e não os radicais da violência. Seriam os participantes ativos da solidariedade orgânica supranacional e construtores de uma sociedade mais justa, igualitária, compartilhada e sustentável. Suas mentes e seus corações estariam construídos de ricos e inovadores pensamentos de solidariedade, que seriam as bases das suas ações.


Nelson Takayanagi – Brasília, 28 de novembro de 2015.


 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Aizenkai.